O fazendeiro herdou as duas belas esposas do chefe Apache moribundo — e algo inesperado aconteceu…

O fazendeiro herdou as duas belas esposas do chefe Apache moribundo — e algo inesperado aconteceu…

Um cowboy legou duas de suas belas esposas ao líder Apache moribundo. E o que aconteceu depois? Antes de mergulharmos na história, não se esqueça de curtir e nos contar de onde você está assistindo. No verão de 1886, Ilias Ellie Cotter vivia sozinho em seu rancho havia quase seis anos.

Aos 34 anos, ele ainda era um homem forte, alto, de ombros largos, do tipo que conseguia carregar um fardo de feno em cada mão. As rugas nos cantos dos olhos eram resultado de anos de vento e poeira, não de riso. Na casa dos 20 anos, ele havia trabalhado conduzindo gado.

Ele serviu por um tempo como batedor nas guerras Apache e saiu de ambas com mais cicatrizes e histórias para contar. Daí em diante, sua vida foi marcada por tarefas, a mudança das estações e o trabalho árduo de manter o rancho funcionando. Esse silêncio foi quebrado numa manhã quente de julho, quando dois cavaleiros Apache apareceram no topo de uma colina. Pela postura ereta e pelo olhar firme com que cavalgavam, Eli soube que não estavam apenas de passagem.

Ele largou o balde que carregava da bomba d’água, apoiou a mão na cerca e os observou se aproximarem. Eles se moviam com aquele andar deliberado que muitas vezes traz más notícias. Quando chegaram ao portão, o homem mais velho curvou a cabeça respeitosamente antes de falar. Seu espanhol era pausado, mas, claro, ele disse: “O chefe está chamando; ele está doente; quer vê-lo agora.” Eli não perguntou o que estava acontecendo.

O olhar do homem lhe disse tudo. Ela desamarrou o cavalo da cerca, montou e seguiu sem dizer mais nada. A viagem para o leste levou quase o dia inteiro. O acampamento ficava em um vale baixo ao lado do rio San Pedro, meio escondido por mesquiteiras. A fumaça das fogueiras pairava no ar calmo.

Ele viu crianças brincando na margem do rio. O riso delas cessou quando o viram. Os homens mais velhos recuaram, mas o observaram, avaliando-o em silêncio. A tenda do chefe se destacava das demais. Lá dentro, o ar cheirava a fumaça de cedro e ervas cozidas. O homem ali deitado não era o mesmo de que se lembrava de anos atrás.

Seu corpo, outrora imponente, definhara, e a força de sua voz se reduzira a um sussurro rouco. Eli se lembrou da primeira vez que se encontraram, durante um ataque de inverno que deu errado. O chefe havia ficado preso em um riacho congelado quando seu cavalo caiu. Eli o puxou para fora, meio congelado, mantendo sua cabeça acima da água até que seu povo chegasse.

Aquele momento os uniu em respeito silencioso, apesar dos anos que se passaram e da distância. Agora, os olhos do chefe o fitavam com a mesma intensidade de antes, mesmo que seu corpo estivesse debilitado. “Você me salvou”, disse ele lenta, mas firmemente. “Eu não me esqueci. Quando eu morrer, minhas esposas não terão ninguém. Não, irmãos, nenhuma proteção. Peço que cuidem delas.”

O maxilar de Eli se contraiu. Ela entendia muito bem o que aquilo significava. Nessas terras, uma mulher sem parentes ou qualquer defesa estava exposta não apenas aos perigos do ambiente, mas também a predadores com rostos humanos. “Vou garantir que eles estejam seguros”, respondeu ela finalmente, com a voz firme, porém mais baixa que o habitual.

O chefe assentiu brevemente, como se fosse tudo o que precisava ouvir, e fechou os olhos. Eli voltou no dia seguinte. As duas mulheres o esperavam na entrada, deixadas ali pelos cavaleiros que já estavam voltando para casa. Jona, um ano mais nova, usava um vestido de camurça cor de terra, já gasto, adornado com franjas e miçangas. Seus longos cabelos negros estavam trançados com tiras de couro e miçangas, e seus olhos castanho-escuros exibiam uma calma vigilante.

O decote do vestido revelava a parte superior do seu peito, mas não havia nada de descuidado em sua postura. Ao seu lado estava Mavilla, mais alta e robusta. Ela vestia um vestido de algodão cor creme, gasto de viagem. A gola rasgada deixava entrever a pele quente; ela não fez nenhum esforço para escondê-la. Estava de pé, ereta, com uma pequena faca na bainha do cinto.

Seus olhos percorreram o quintal, o curral, a casa, avaliando se o lugar era confiável. Eli parou a alguns passos de distância. “A casa é fresca por dentro”, disse ela. “Tem comida e dois quartos vazios. São seus, se quiserem.” Eles não responderam imediatamente. Aona lançou um olhar rápido para Mavilla antes de ambas seguirem em frente, passando por eles sem dizer uma palavra.

Por dentro, a casa era simples: piso de madeira, uma pequena cozinha e dois quartos nos fundos que não eram usados ​​há anos. Deixaram seus pequenos embrulhos encostados na parede. Ninguém mencionou quanto tempo ficariam, e ela não perguntou. Sabia perfeitamente bem o que havia concordado naquela loja. Ao fechar a porta, sentiu o ar mudar.

Não se tratava mais apenas de cumprir uma promessa. Era o início de algo que perturbaria a tranquilidade de sua vida, para o bem ou para o mal. Eli acordou antes do amanhecer, como de costume, mas o som de movimento na cozinha lhe disse que não era o único acordado. A presença das mulheres ainda era recente, e o peso da promessa feita ao chefe moribundo ainda não havia se incorporado à sua rotina.

Ele lavou o rosto na bacia, calçou as botas e foi para a sala principal. Aona estava junto à lareira, as tranças caindo sobre os ombros enquanto mexia uma panela. Ela ergueu os olhos por um instante, serenos, mas enigmáticos, e depois voltou ao trabalho. O cheiro indicou a Eli que ela havia encontrado o saco de fubá que ele mencionara no dia anterior. Mavilla estava perto da porta, arregaçando as mangas do vestido creme e observando o quintal pela porta aberta, como se já estivesse pensando nas tarefas do dia. O rancho funcionava com o mínimo necessário há anos — apenas Eli e mais alguns funcionários.

Cavalos, um pequeno rebanho de gado e cercas que pareciam prestes a desabar com uma brisa. Ele havia mantido aquela terra viva com trabalho árduo e pelo fato de que ninguém mais queria tomá-la. Agora, com mais duas pessoas sob seu teto, ele sentia a pressão de alimentá-las, protegê-las e mantê-las longe de problemas com más companhias.

Ele percebeu que algo havia ficado por dizer no dia anterior. Nenhum dos dois lhe contara onde estiveram antes de os cavaleiros os deixarem em seu portão. As esposas do chefe não costumavam falar sem motivo, mas ele estava inquieto por não saber se alguém poderia vir procurá-los. Comeram em silêncio à mesa, bebendo mingau de milho espesso e um café tão forte que lhes deixou a boca seca. Depois, Elay empurrou a cadeira para trás.

“Temos trabalho a fazer hoje”, disse ela, olhando para os dois. “Os cavalos precisam de água. A cerca sul está inclinada e a bomba range tanto que enlouquece qualquer um.” O rosto de Mavia se curvou entre um meio sorriso e um desafio.

“Podemos usar a bomba?”, respondeu ela firmemente em seu espanhol praticado, embora com sotaque. Aona não disse nada, apenas acenou com a cabeça uma vez e começou a recolher os pratos. Lá fora, o calor da manhã já era perceptível. Eli foi até o bebedouro, mostrando-lhes a alavanca da bomba e como prepará-la. Mavia aprendeu rapidamente, com os braços firmes na alavanca, embora o rangido do metal velho a fizesse franzir a testa.

Aona carregou o balde até o curral, o vestido de camurça roçando suas pernas, o decote escorregando a cada curva. Os cavalos cheiravam calmamente, imperturbáveis. Na cerca sul, Eli apontou para Mavia a parte que havia cedido. “O chão está mole aqui”, comentou. “Os postes precisam ser trocados.” Ela colocou as mãos na cintura, olhando para a cerca. “Já fiz pior”, respondeu, e ele acreditou nela.

Trabalharam juntos com a furadeira, revezando-se sem incidentes. Ela percebeu imediatamente quando o ombro direito dele enrijeceu — uma antiga lesão dos tempos em que era garimpeiro — e o substituiu sem pedir permissão para estender seu turno. Ao meio-dia, o suor manchava suas costas. Descansaram à sombra de uma árvore de mesquite, passando o cantil de mão em mão. Foi então que Eli perguntou, mantendo a voz calma.

Quando os cavaleiros os trouxeram, perguntaram se mais alguém poderia vir buscá-los. Agona olhou para Mavia antes de responder. “Ninguém virá. A palavra do chefe é final”, disse ela suavemente, mas com uma firmeza que lhe dizia que acreditava nisso. Ou precisava acreditar nisso. Mavia acrescentou: “Seus irmãos estão mortos. Seus inimigos têm outras batalhas agora.”

Ele não deu mais detalhes, e Eli não insistiu no assunto. De volta à casa, as mulheres começaram a preparar o jantar. Eli ficou do lado de fora, observando o horizonte como de costume. O terreno era plano o suficiente para avistar um cavaleiro se aproximando a quilômetros de distância, e ele queria que continuasse assim. Ao pôr do sol, o trabalho era evidente: a cerca de água ao redor dos cavalos e o ruído reduzido da bomba, graças a Mavia. Dentro de casa, a mesa estava posta com feijão e pão fresco.

Elas comeram sem cerimônia. O silêncio já não era constrangedor, embora também não fosse exatamente familiar. Eli notou os pequenos gestos, como Agona colocando a xícara à sua esquerda sem pedir permissão, ou como Mavia trancava a porta antes de se sentar. Esses não eram apenas os hábitos de mulheres cautelosas; eram reflexos daquelas que viveram tempo demais sabendo que a segurança nunca é garantida.

Enquanto cuidava do fogo naquela noite, Ellie compreendeu sua nova missão. Não se tratava apenas de cumprir o último pedido do chefe; tratava-se de garantir que aquela casa e aquela terra fossem um lugar que ninguém pudesse tomar delas, não importando o que o deserto ou os homens que ali viviam tentassem. A manhã seguinte amanheceu mais fresca, com um véu de nuvens obscurecendo o sol.

Eli saiu para a varanda, café na mão, contemplando o horizonte como sempre. Anos de solidão naquelas terras o ensinaram a ler o terreno: o movimento da poeira, a luz mutável. E agora, com duas mulheres sob seus cuidados, esse hábito só se intensificara. Nada se movia lá fora, exceto um abutre que circulava a crista distante.

Lá dentro, as mulheres já estavam acordadas. Aillona, ​​ajoelhada junto à lareira, atiçava o fogo para o café da manhã. Mavia estava do lado de fora, no bebedouro, com as mangas arregaçadas e os cabelos soltos, esfregando o interior com uma escova rígida. O som do seu trabalho ecoava no ar parado. Eli ainda refletia sobre algo do dia anterior.

Eles insistiam que ninguém viria atrás deles, que a palavra do chefe era final. Mas ele sabia que homens brancos e apaches ignorariam o último desejo de um morto se vissem uma oportunidade de lucro. Ele também sabia que o chefe era respeitado e que, com sua morte, haveria aqueles que desejariam testar qualquer pessoa ligada a ele.

Eles comeram rapidamente os feijões que sobraram, ainda quentes das brasas, e os bolinhos de milho que Agona havia moldado e assado enquanto servia o café. Depois, Ellie pousou a xícara e disse calmamente: “Precisamos verificar a cerca norte. Não vou lá há uma semana. É um terreno acidentado e um bom esconderijo para quem quiser passar despercebido.”

Ela não disse o resto em voz alta. Queria ver se havia rastros recentes. Selaram os cavalos e partiram juntos. Jona cavalgava em silêncio, ereta e serena, seu olhar percorrendo o terreno de uma forma que deixava claro para Eli que ela sabia observar sem chamar atenção. Mavia, por sua vez, às vezes cavalgava à frente com movimentos confiantes, e Eli notou que ela mantinha a mão perto do cabo da faca em seu cinto. Não era para se exibir, mas por hábito.

A cerca ao norte acompanhava uma elevação onde a grama dava lugar a pedras e ervas daninhas. No meio do caminho, Eli viu dois postes inclinados e um arame frouxo. Ele desmontou, abaixou-se e passou os dedos pela terra. Uma pegada que não era dele marcava o chão, amolecida pela chuva recente. A pegada era rasa, mas recente, com menos de dois dias.

Ela se levantou, examinando a encosta além da cerca. “Alguém passou por aqui”, disse ela. Mavia desmontou e foi ver. Ela apertou os olhos. Estavam nos observando. As pegadas levavam de volta para o topo da colina. A voz de Aona era calma, quase calma demais. Não são nossos, nós saberíamos. Eli apertou o arame enquanto eles vigiavam.

Ele trabalhou rápido, sem querer ser descoberto, e o intruso ainda estava por perto. Quando terminaram, remontaram nos cavalos e fizeram um caminho mais longo para ter uma visão melhor dos arredores da fazenda. De volta para casa, Eli conduziu os cavalos até o curral. De agora em diante, disse ele, “Ninguém sai sozinho. Se virem poeira ou movimento, saiam, entrem e tranque o portão.” Mavia ergueu o queixo diante da ordem, mas não questionou.

Jona apenas assentiu com a cabeça, o olhar fixo nele. Conforme a tarde avançava, Eli foi até o pequeno depósito ao lado da cozinha para verificar os suprimentos. Havia pouca farinha, o café no último saco e o óleo para as lamparinas quase no fim. Ela teria que ir à aldeia em breve — meio dia para ir e outro para voltar — mas a ideia de deixá-los sozinhos a preocupava mais do que ela gostaria de admitir.

Após terminarem o trabalho, sentaram-se na varanda. O céu estava num tom vibrante de laranja e azul opaco. Conversaram baixinho em sua língua, e ele os deixou a sós, pensando. Ele ainda não entendia por que os cavaleiros os haviam deixado em seu portão em vez de levá-los a parentes de seu povo. Não havia perguntado diretamente, mas a dúvida persistia. Ao cair da noite, Mavia se virou para ele.

Se vocês forem para a cidade, estaremos prontos. Sabemos como ficar de guarda. Ela não disse isso com arrogância, mas como um fato. Para Jona, acrescentou: “Já sobrevivemos a coisas piores do que uma casa vazia.” Eli os observou por um longo momento. Ela confiava que eles conseguiriam se virar sozinhos, mas também sabia que os problemas surgiam rapidamente por ali, e estar preparado nem sempre significava estar seguro.

Mesmo assim, ela assentiu. “Nós o veremos em alguns dias. Até lá, manteremos tudo em segredo.” Elas permaneceram do lado de fora até o amanhecer, com a terra escura e silenciosa ao redor. Ninguém disse nada, mas as três sabiam que o rancho não estava tão escondido quanto antes e que alguém lá fora já sabia que as mulheres estavam ali.

Dois dias se passaram sem que ninguém fosse visto por perto, mas Eli continuava inquieto. Ele se pegava checando a colina ao norte com mais frequência, atento ao som do vento trazendo um galope. Decidiu adiar sua viagem à aldeia até ter certeza de que quem quer que tivesse deixado aquelas pegadas já tivesse ido embora. Naquela manhã, o ar estava quente e calmo, com aquele tipo de quietude que faz o som viajar mais longe.

Agillona estava ajoelhada no jardim, arrancando ervas daninhas com movimentos firmes. Mavia, no curral, escovava um dos cavalos, com as mangas arregaçadas e a faca ainda presa ao cinto. Ele ajustava a dobradiça de uma porta quando ouviu o som de dois cavalos caminhando lentamente vindo do oeste.

Ele se levantou e fez um gesto para que as mulheres parassem o que estavam fazendo e entrassem. Dois cavaleiros apareceram no caminho, ambos brancos, com chapéus desbotados e casacos empoeirados. Seus cavalos eram magros e inquietos. Seus olhos percorreram o pátio antes de chegarem à entrada.

O homem mais velho, com seus traços marcantes e olhos claros, esboçou um meio sorriso nada amigável. “Bom dia”, cumprimentou em voz clara. “Ouvi dizer que há visitas novas por aqui.” Seu olhar se voltou para a varanda, onde Aona já estava de pé, braços cruzados, com uma expressão serena, porém alerta. Eli não se moveu do portão. “Está tudo muito quieto por aqui. Devem ter se enganado”, disse o mais jovem.

Ele deu uma risadinha, ajeitando-se na cadeira. “Acho que não.” Seus olhos se demoraram descaradamente nas mulheres, com aquela expressão que ele vira com muita frequência nas estradas. “Não estamos procurando confusão”, disse o homem mais velho, embora seu tom sugerisse o contrário. “Só queríamos dizer olá.” “Talvez fazer companhia, mas não estou interessada”, respondeu Ellie, com voz calma. “É melhor você voltar antes que o sol nasça.”

O silêncio que se seguiu foi pesado. Eli sentiu os olhares de Aona e Mavia, esperando para ver se persistiriam. O jovem inclinou-se ligeiramente para a frente, como se fosse falar mais alguma coisa, mas o homem mais velho segurou seu braço. “Estamos indo embora”, disse ele, forçando outro sorriso. “Talvez voltemos outra hora.”

Os cavalos se viraram e partiram lentamente. Lentamente demais, como se quisessem memorizar cada detalhe do lugar antes de ir embora. Quando a poeira da partida baixou, Eli subiu até a varanda. “Se algum deles voltar enquanto eu estiver fora, que fiquem lá dentro. Não abram a porta, não importa o que digam”, avisou Eli.

Mavia cerrou os dentes. “Sabemos nos virar”, respondeu. “Eu sei”, disse ele, olhando-a nos olhos. “Mas se defender não é a mesma coisa que ter um teto sobre a cabeça sem se meter em uma briga desnecessária.” Naquela tarde, depois das tarefas, sentaram-se para jantar: feijão, bacon salgado e pão fresco feito por Aona. A tensão de antes ainda pairava no ar.

Eli decidiu pôr fim a uma das perguntas que pairavam no ar desde o primeiro dia. “Eles nunca disseram por que os cavaleiros a deixaram aqui e não com outros parentes”, perguntou, olhando para as duas. O olhar de Agilona baixou para o prato, e Mavia falou primeiro. “O chefe escolheu você, não só porque você o salvou, mas porque sabia que ninguém mais conseguiria nos proteger sem exigir algo em troca.” Ela deixou suas palavras reverberarem.

Existem homens, até mesmo entre os nossos, que nos veriam como algo a ser reivindicado. Ele queria algo melhor do que isso. Eli assentiu lentamente, deixando a resposta se assentar. Não era tudo, mas era o suficiente para entender sua chegada e o risco que ela acarretava. Depois do almoço, eles saíram.

O ar ficou mais fresco e as estrelas começaram a aparecer uma a uma. Eli sentou-se em seu lugar de costume na varanda dos Mavia, encostado no poste junto à porta, e Ajillona sentou-se no degrau de cima. Ninguém falou por um tempo. Ele não ficava mais deitado em silêncio, mas sabia que os dois cavaleiros de antes estavam lá fora em algum lugar e que, mais cedo ou mais tarde, voltariam.

Naquela noite, antes de ir para a cama, ele tirou o rifle Winchester do suporte na cozinha e o colocou na mesinha ao lado da cama. Se houvesse algum problema, não o pegaria de surpresa. Os dois dias seguintes transcorreram em uma calma tensa. Eli se manteve ocupado consertando cercas, verificando o gado e organizando detalhes no celeiro — qualquer coisa que lhe permitisse se movimentar e ficar de olho na propriedade.

Mavia e Ajiyona se adaptaram ao ritmo sem reclamar, mas pelo jeito como mantinham os olhos no horizonte, ele percebeu que a visita dos homens ainda estava em suas mentes. Eli não gostava de pontas soltas, e algo não fazia sentido. Como eles tinham descoberto sobre as mulheres? Notícias não circulavam por aqui. Alguém tinha falado.

O acampamento do chefe ficava suficientemente longe para que a notícia não chegasse facilmente aos colonos brancos. E aqueles cavaleiros não pareciam homens que negociavam com os Apaches. Podiam ser um daqueles vaqueiros mestiços que transitavam entre os dois mundos por dinheiro, ou talvez um peão de fazenda com a língua solta na cidade.

Quem quer que fosse, tinha dito algo que não devia. Era final de tarde quando ele viu uma nuvem de poeira subindo do caminho oeste. Eli estava no telhado consertando uma telha e a viu. Rapidamente desceu as escadas, chamando para o curral onde Mavia estava recolhendo os cavalos. Lá dentro, deu ordens. Ela não respondeu, e Agona se juntou a eles, fechando o portão atrás de si. Eram os mesmos dois cavaleiros, mas desta vez, não havia qualquer pretensão de cortesia.

Eles só diminuíram a velocidade quando estavam quase na varanda, e o mais jovem desmontou antes que o cavalo parasse completamente. “Pensamos em voltar para aquela visita amigável”, disse ele com um sorriso que não tinha nada de amigável. Sua mão repousava perto da coronha do revólver em seu quadril.

Eli deu um passo à frente, posicionando-se entre eles e a porta. “Eu já disse, não há nada aqui para vocês.” O homem mais velho permaneceu montado, com os olhos claros fixos na casa. “Ouvimos outra coisa. Dizem que aqueles dois vieram da cabana do chefe. Isso os torna valiosos para certas pessoas. Poderíamos levá-los para alguém que pague bem.” Eli cerrou os dentes, mas seu tom permaneceu firme.

Elas vão montar nos cavalos e ir embora. Não vão voltar. O jovem riu. “Você acha que consegue ficar com as duas? Não dá para ficar vigiando duas mulheres o dia todo. Cedo ou tarde, uma delas vai ficar sozinha.” Eli se aproximou tanto que o homem teve que dar um passo para trás.

“Tente, e você não verá outro nascer do sol”, avisou ela, num tom que não deixava margem para dúvidas. Lá de dentro, o rangido de uma tábua do assoalho revelou as mulheres que observavam pela pequena janela junto à porta. “Não vamos com você”, disse Mavia, com a voz clara e firme através da madeira. “Se você atravessar esta varanda, vai se arrepender.”

Os olhos do homem mais velho se voltaram para o som, avaliando-o como alguém que pondera suas opções, mas algo na postura de Eli — seus ombros retos, seu olhar firme e a Winchester repousando em sua mão direita — o fez reconsiderar. Ele estalou a língua e virou o cavalo. “Vamos”, ordenou ao mais jovem. Eles partiram sem dizer mais nada, mas Ili sabia que aquilo não havia terminado.

Quando a poeira baixou, ele entrou. Aona estava perto da janela, a trança solta sobre o ombro, os olhos penetrantes, mas calmos. Mavia ainda segurava a faca. “Você não pode ficar aqui sozinha. Se eu tiver que ir à cidade…”, disse Eli. “Não, não agora.” Aona olhou-o diretamente nos olhos. “Então nós vamos com você. Já viajamos para lugares mais distantes do que isso antes.” Eli refletiu sobre isso por um longo tempo.

Ela não gostava da ideia de levá-los para a aldeia onde as fofocas se espalhavam mais rápido, mas deixá-los ali com aqueles homens rondando era pior. Tudo bem, ela finalmente concordou. Iremos juntos, compraremos o que precisamos e voltaremos logo. Naquela noite, durante um jantar com ensopado e pão de milho, eles fizeram um plano: o que comprar, como viajar e o que fazer se aqueles cavaleiros ou alguém ligado a eles aparecesse na aldeia.

Não foi uma conversa agradável, mas era necessária. Antes de dormir, Eli desmontou a Winchester sobre a mesa, limpou cada peça e a remontou calmamente, com cuidado em cada movimento. Nenhum dos dois disse nada, mas o observaram até que o rifle estivesse ao seu alcance. Os três sabiam o que aquilo significava. Daquele momento em diante, todos os dias seriam vividos em estado de alerta máximo.

Partiram antes do amanhecer, uma viagem de um dia e meio até a aldeia, pouco antes do calor do deserto tornar o ar pesado e abafado. Ele selou o cavalo castanho para si. Deu-lhe Agilona, ​​a égua mais baixa, e montou Mavia, seu outro cavalo, um animal calmo que não se assustava com as pessoas.

Nenhum deles carregava mais do que cantis e uma pequena mochila. Eli não queria olhares curiosos por causa do excesso de bagagem. A Winchester estava pendurada nas costas e o revólver na cintura. A estrada para a aldeia estava silenciosa, exceto pelo ruído dos cascos e o ranger do couro. Na mente de Eli, as perguntas que ele não tinha respondido desde a morte do chefe ainda persistiam.

Disseram que ninguém do seu povo viria procurá-los, mas não esclareceram quantos inimigos o chefe tinha, nem até onde a notícia poderia ter se espalhado além do território Apache. Se aqueles cavaleiros estavam falando de pagamento, alguém lhes havia dito exatamente o que procuravam. Isso significava que havia uma cadeia de rumores, e na aldeia, essas cadeias estavam se alongando cada vez mais.

Eles chegaram assim que os primeiros portões se abriram. Eli os guiou pela rua principal, mantendo-os por perto. Os olhos calmos de Agillona examinavam cada entrada. Mavia, mais visivelmente cautelosa, mantinha os ombros firmes e a mão próxima à faca, mesmo com pessoas observando. Duas mulheres apaches e um homem branco não passariam despercebidos.

Algumas eram por curiosidade, outras do tipo que Eli reconhecia como problemáticas. A primeira parada foi na mercearia. A lista era curta: farinha, café, óleo para lamparina, bacon salgado e alguns produtos secos. Enquanto o lojista procurava os itens, Eli notou um homem encostado em um poste do lado de fora, com os braços cruzados, olhando pela janela.

Ele não era um dos cavaleiros anteriores, mas seu olhar era tão fixo e insistente quanto o dos outros. Quando partiram com os suprimentos, o homem não se mexeu. Eli o encarou por tempo suficiente para lhe transmitir uma mensagem. Ele o vira e não esqueceria seu rosto. Carregaram as coisas na mula e seguiram o ferreiro. Eli precisava de pregos, arame e uma dobradiça nova para a porta do celeiro.

Enquanto conversava com o ferreiro Ajillona, ​​a luz do sol que iluminava o bordado de miçangas em seu vestido incidiu sobre um lado. Um menino, de uns doze anos, aproximou-se dele com os olhos arregalados. “Você é mesmo do acampamento, Apache?”, perguntou. A resposta de Ajillona foi breve e gentil. Sim. O menino pareceu pronto para perguntar mais, mas uma mulher, possivelmente sua mãe, o chamou bruscamente. Eli percebeu uma mudança na atmosfera ao chegar ao fim da rua.

Dois homens a cavalo estavam perto da cantina, e ele os reconheceu imediatamente: o de olhos claros e seu jovem companheiro. Ainda não haviam sido vistos, mas era apenas uma questão de tempo. Eli não diminuiu o passo. “Estamos indo embora”, murmurou. Seguiram para o leste, mas o mais jovem os viu antes que partissem.

Ele sorriu amplamente e disse algo ao seu parceiro. O homem mais velho o observou até chegarem à periferia da cidade. Ele não os seguiu, pelo menos não ainda, mas Eli sabia que a viagem de volta não seria fácil. Mantiveram um ritmo constante, atentos ao menor sinal de perseguição. Alguns quilômetros à frente, Ajillona gritou: “Eles estão vindo?” “Sim”, respondeu ele secamente. “Talvez não hoje, mas eles sabem onde estamos e decidirão o quanto querem isso.”

Mavia olhou para ele de soslaio. Então, vamos fazer com que não valha a pena. Quando o rancho surgiu à vista, o sol estava alto e escaldante, mas o ar ali parecia diferente. Eli descarregou os suprimentos na cozinha e colocou o rifle sobre a mesa. De agora em diante, vamos trabalhar como se o alienígena estivesse chegando, disse ele.

A cerca estava segura, os cavalos prontos. A comida precisava poder ser transportada rapidamente, se necessário. Aona e Mavia assentiram sem hesitar. Não perguntaram se era necessário; já sabiam. Naquela noite, jantaram à luz de lamparinas com as janelas cobertas, todos cientes da mesma verdade tácita. A calma que conheceram fora substituída por uma espera que desgastava tanto a mente quanto o corpo.

Nos três dias seguintes, trabalharam como se o rancho fosse uma pequena fortaleza. Eli verificou todas as cercas, recolocou as tábuas soltas da varanda e fechou bem as portas do celeiro. Aona empacotou feijão seco, farinha e bacon salgado em caixas, prontas para a mudança. Mavia lubrificou todas as dobradiças das portas, dizendo que não queria ouvir nenhum rangido caso tivessem que sair à noite.

Dormiam mais leves. Ninguém comentava, mas todos acordavam ao menor ruído lá fora. Eli sabia que a pior parte era a espera. Os homens da aldeia viriam, seja pelas mulheres, por dinheiro, ou apenas para provar que podiam. O que ela não sabia era quantos seriam, ou se tentariam conversar primeiro ou se viriam direto para a força.

Ele já havia passado por problemas suficientes para entender que um homem que ameaça duas vezes fará com que a terceira vença. No final da quarta tarde, ouviram-se três pares de cascos, não dois. Eli estava no quintal cortando lenha. Largou o machado lentamente, com o olhar fixo na colina a oeste. Lá estavam o homem de olhos claros e seu jovem companheiro, com um terceiro homem atrás deles, de ombros largos e vestindo um casaco preto apesar do calor.

Dessa vez, nem se deram ao trabalho de abrir o portão. Entraram direto no quintal. Aona apareceu na porta, a trança caindo sobre um ombro, o olhar fixo neles. Mavia saiu para a varanda, a faca na cintura, o corpo virado para observar tanto os homens quanto Eli. A de olhos claros falou primeiro. “Você teve tempo para pensar nisso, Cotter.”

Viemos buscá-los. Não há necessidade de tornar isso mais difícil do que o necessário. Eu não me mexi. Eles não virão com você. O homem de casaco preto avaliou a casa, o celeiro e o curral. “Você não pode continuar assim para sempre”, disse ele em voz baixa e firme. “Assim que você for à cidade comprar suprimentos, eles serão deixados em paz. Ou talvez esperemos você dormir e entremos pelos fundos.” A voz de Mavia cortou o ar.

“Experimente e veja o quão preparados estamos.” O jovem riu, mas uma faísca de dúvida brilhou em seus olhos. Ele havia percebido pela postura de Mavia e pela calma de Aona que não era apenas bravata. Deu um passo lento para frente, com a mão no Winchester. “Você já foi avisada duas vezes. A terceira vez será o fim, e você não vai gostar de como.”

O sorriso no rosto do homem de olhos claros se desfez. Ele olhou para o homem de casaco, que mal acenou com a cabeça. Sem dizer mais nada, os cavalos se viraram e partiram. Mas o jovem cuspiu no chão perto da varanda antes de ir embora. Eli ficou imóvel até que eles partissem, ouvindo o som de seus cascos se afastando na distância. Então, ele se voltou para as mulheres. Elas voltarão, e da próxima vez não irão embora sem tentar alguma coisa.

Agona fez a pergunta que a intrigava, mas para a qual não conseguira resposta. Por que podiam levar qualquer mulher da aldeia sem tanta dificuldade? Por causa de sua origem, porque alguém lhes disse quem elas são e porque homens assim desejam o que lhes dizem que não podem ter, respondeu Eli. A resposta os atingiu em silêncio.

Naquela noite, o rifle estava sobre a mesa, as lâmpadas diminuídas, e os três se revezavam na janela, observando a planície. Não houve ataque, apenas o vento, mas eles sabiam que a calmaria não duraria. Na próxima vez, a decisão entre conversar e lutar já estaria tomada. Isso aconteceu duas noites depois, pouco depois da meia-noite.

O vento havia cessado, deixando o chão tão imóvel que cada rangido da casa soava mais alto. Ele estava em sua última vigília junto à janela, com a Winchester no colo, quando viu um clarão perto do curral, um brilho metálico ao luar. Permaneceu imóvel, deixando seus olhos se acostumarem à luz.

Então ele avistou a silhueta de um homem agachado perto da cerca, seguida por outras duas sombras. Não disse nada. Caminhou até o quarto dos fundos, onde Mavia dormia de botas e com a faca debaixo do travesseiro. Tocou seu ombro e apontou para frente. Ela estava pronta em segundos, sem que ele precisasse pedir. Acordou Jona, que dormia no pequeno quarto.

Sua trança estava solta por causa do sono, mas seus olhos se abriram assim que ela entendeu o que estava acontecendo. Silenciosamente, eles tomaram suas posições: Mavia perto da porta dos fundos, faca na mão; Aona perto da janela lateral com a velha espingarda que ela havia lubrificado na semana anterior; e Eli na frente, sua Winchester encostada no parapeito, ouvindo o leve rangido de botas se aproximando e o suave guincho de selas de couro. Um deles segurava cavalos por perto.

Uma sombra moveu-se em direção à varanda. Eli esperou até que a primeira bota tocasse o degrau antes de falar. “Mais um passo e será o último.” O homem de olhos claros permaneceu imóvel, mas o de casaco preto avançou, com a mão no revólver. O tiro de Eli foi rápido, estilhaçando a estaca a centímetros do seu braço.

O homem recuou praguejando, e por um instante reinou apenas um silêncio tenso. Então, o jovem tentou se aproximar por trás. Mavia estava preparada; abriu a porta com um estrondo, prensando-o contra a parede, e encostou a faca em sua garganta. “Nem mais um passo”, disse ela em voz baixa, porém firme.

Na janela lateral, Jona apontou a espingarda para o homem que segurava os cavalos. “Solte as rédeas”, ordenou Serena, com uma certeza que o paralisou. Enquanto ele movia as rédeas rapidamente, engatilhou a arma, e o som cortou a noite como um alarme. Eli saiu para a varanda, com o rifle em punho. “Eles vieram pensando que este lugar estava indefeso. Estavam enganados. Não haverá outra chance.” Sua voz não se elevou, mas a firmeza nela era inegável.

O homem de olhos claros olhou para ele, depois para Mavia, em seguida para Jona, antes de voltar a encará-lo. Ele compreendia perfeitamente o que estava diante dele. Três pessoas que não tinham medo de agir acenaram com a cabeça na direção do homem que segurava os cavalos. “Vamos”, ordenou Mavia. Ela deu um passo para o lado o suficiente para o jovem passar, ainda brandindo a faca.

Aona baixou a espingarda apenas quando os cavalos entraram na trilha. Em menos de um minuto, eles se perderam na escuridão. Suas silhuetas desapareceram entre as colinas baixas. Ele só relaxou quando o som dos cascos se dissipou. Então, olhou para as duas mulheres. Esta é a última vez que elas vêm aqui por vontade própria.

Se os virmos novamente, será nos nossos termos. Agona colocou a espingarda sobre a mesa. Eles não se esquecerão desta noite, disse ela baixinho. Não precisam, respondeu Eli. Já deixamos nossa mensagem clara. Antes de voltarem a dormir, verificaram todas as portas e janelas mais uma vez. Era um hábito, quase um reflexo.

O rancho ficou em silêncio novamente, mas era um silêncio diferente. Não era a calma tensa da espera. Naquela noite, eles haviam tomado a decisão das mãos do inimigo, e os três sabiam disso. Na manhã seguinte ao confronto, o pátio do rancho estava silencioso, exceto pelo vento sussurrando entre os mesquiteiros. Ele saiu para a varanda com sua xícara de café, observando as colinas como era seu costume.

Não havia vestígio dos três homens, nem poeira no ar, nem movimento à distância, mas ele não confundiu a quietude com segurança. Nessas paragens, o perigo sempre encontrava um jeito de voltar, a menos que você se certificasse de que não pudesse. Durante o café da manhã, eles repassaram o que havia acontecido na noite anterior, preenchendo as lacunas com os detalhes.

Agona relatou como vira o homem com os cavalos inquieto na sela, como se estivesse pronto para soltá-los e ir em auxílio dos outros. Mavia lembrou-se de como o jovem se enrijeceu ao sentir a faca em sua garganta e soube que ele só recuou porque entendeu que ela estava preparada para matá-lo se ele não o fizesse.

Ele explicou o que não havia mencionado antes: homens como aqueles raramente agiam sozinhos por muito tempo. Se retornassem, poderiam vir em grupo de mais de três. Antes do meio-dia, decidiram que a melhor maneira de encerrar a situação era ir à cidade e emitir um aviso público, não pedir ajuda. Ele não tinha intenção de fazer isso, mas sim de deixar claro diante das testemunhas que qualquer um que se aproximasse do rancho Cotter com más intenções não voltaria.

A viagem até a vila foi constante e silenciosa. Os três sabiam que o objetivo era tanto se estabelecerem quanto conseguir suprimentos. Ao chegarem, Rily foi direto para a cantina, seguido por Mavia e Ajillona. Os três homens — o de olhos claros e seus dois companheiros — estavam sentados a uma mesa no canto. O ambiente ficou em silêncio. Eli parou a poucos passos de distância. Sua voz era calma, mas alta o suficiente para que todos o ouvissem.

Você invadiu minhas terras à noite, ameaçou meu povo. Isso acaba hoje. Se você ousar pôr os pés perto da minha cerca novamente, será enterrado na mesma terra que atravessou para chegar aqui. O homem de olhos claros não respondeu imediatamente. Olhou para Ela, depois para as mulheres resolutas ao seu lado e, em seguida, para os rostos que as observavam. Não havia saída fácil.

Ele empurrou a cadeira para trás lentamente e se levantou. “Acabou”, disse ele secamente. “Não vale a pena.” Eles foram embora sem olhar para trás. Ele só relaxou quando os viu cavalgando na direção oposta à do rancho. Se eles foram embora por medo ou orgulho, não importava. O que importava era que eles tinham ido embora, e com metade da sala como testemunhas, a notícia se espalharia o suficiente para fazer os outros pensarem duas vezes.

Eles reuniram os suprimentos restantes e retornaram sob um céu amplo e límpido. O ar parecia diferente, mais leve, sem o peso constante da espera. Descarregaram as compras e continuaram o trabalho sem ficarem olhando constantemente por cima do ombro. Naquela noite, enquanto o sol se punha e alongava as sombras, jantaram na varanda. Aona colocou um pequeno colar de contas polidas sobre a mesa.

Um amuleto que o chefe sempre guardava ao lado da cama, e disse em voz baixa: “Confiei em vocês por um motivo, e agora estamos ficando porque decidimos ficar”, acrescentou Mavia. Eli olhou para eles por um longo momento antes de responder. “Então, não se trata apenas de manter o lugar de pé. Agora estamos construindo algo.” Era a mais pura verdade.

O rancho não era mais apenas deles; era deles. As cercas ainda precisariam de reparos. A bomba ainda rangeria de vez em quando, e as tempestades voltariam do oeste. Mas essas eram batalhas que valiam a pena lutar, batalhas que enfrentavam juntos. Quando acenderam as lâmpadas naquela noite e fecharam as janelas para se protegerem do ar frio, não havia tensão no silêncio, apenas a calma de um lar recuperado, cuidado e defendido.

Lá fora, a noite permanecia calma, e pela primeira vez em semanas, Eli soube que o perigo havia passado. Eles haviam atacado sua testa, e ela resistira.

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